Localizada em um condomínio de Brasília, a Casa MP ocupa um terreno praticamente quadrado, cercado por densa vegetação nas laterais. Essa configuração orientou a abertura das maiores vistas e vãos para o fundo do lote e motivou a adoção de estratégias que preservam a privacidade da fachada frontal, sem comprometer a ventilação cruzada.
O programa enxuto foi disposto em dois eixos perpendiculares: o primeiro reúne as áreas social e de serviço; o segundo abriga a área íntima. A volumetria nasce do encontro desses eixos, com o bloco social marcado por grandes esquadrias de vidro e protegido por um extenso corredor de cobogós e vegetação, solto da construção e apoiado em pilares azuis. Um volume em balanço contorna todo o seu perímetro, projetando-se para formar a varanda e a cobertura da entrada principal. O acesso conduz o visitante por um percurso sombreado, onde o jogo de luz e sombra filtrado pelos cobogós antecipa a abertura para o espaço social.
O bloco íntimo, por sua vez, apresenta uma arquitetura mais sólida, com aberturas voltadas exclusivamente para a face oposta à varanda social, garantindo a privacidade dos moradores. Na fachada voltada para a varanda, um longo corredor de circulação, também protegido por cobogós, retoma o elemento presente na fachada frontal, reforçando a unidade do conjunto.
A materialidade combina a textura do concreto e o calor da madeira ao ritmo dos cobogós, que dialogam com a vegetação de forma harmoniosa. Somados ao uso de amplas esquadrias e à implantação precisa, esses elementos asseguram abundante iluminação natural, ventilação cruzada constante e integração fluida entre interior e exterior.